Blog escrito por José Vitor Rack.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Entrevista com Marco Rodrigo

 
Um bom diretor pode salvar um texto medíocre do fracasso em TV?

Eu acredito que não. O texto, ou seja, a história, é a base de tudo, se não temos qualidade no alicerce principal podemos ajeitar algumas coisas, mas uma boa história é fundamental!!!

Como é a sua relação com os autores de nossa teledramaturgia?

É uma relação de respeito mútuo sempre tentando juntar os pensamentos criativos em torno de um objetivo comum que é a novela. Sempre duas cabeças pensarão melhor que uma.

Qual a maior virtude da teledramaturgia brasileira?

Nos expor na tela. Falar de nós mesmos com uma linguagem direta e que alcança milhões de pessoas todos os dias. Sempre será muito bom podermos assistir a como nós somos. A teledramaturgia nos mostrará sempre nossas delícias e nossas mazelas.

Qual o maior defeito da teledramaturgia brasileira?

A mesmice. A repetição.

Qual o autor de telenovelas que você mais admira?

Ainda não tive oportunidades de trabalhar com todos para te responder, mas todos com que eu trabalhei tem seu jeito, seu encanto. Quando você convive com os personagens de um autor não deixa de estar convivendo um pouco com ele. Isso é fantástico. Mas vou precisar de algumas novelas a mais para te dizer um nome... Mas já tenho um guardado.

Como é dirigir novelas do Lombardi, autor tão sui generis na TV de hoje?

É uma experiêncial sensacional. Lombardi tem como características básicas ação, bom humor, diálogos brlhantes e diversos núcleos bem distintos dentro de uma mesma trama o que possibilita ao diretor um exercício diário de criatividade. Fazer Lombardi é sempre um desafio e eu adoro.

O que torna um texto fácil de decorar?

Com certeza a ordem de ações dramaturgicas que ele possui. Se você consegue entender com clareza o que tem que fazer, se torna natural o que você vai ter que dizer. Mais importante do que decorar o texto é saber do que ele trata, saber o que seu personagem faz ali, o que ele quer, de onde veio, pra onde vai, saber as ações.

Que tipo de cena é a mais difícil de se gravar, seja por motivos técnicos ou artísticos?

Cenas de ação (perseguição de carros, tiroteios, batidas, brigas, etc) com toda certeza. Primeiro porque elas precisam de toda uma produção especial e que precisa ser feita com antecedência, depois suas gravações fogem completamente do lugar comum. Todo detalhe em uma cena de ação é importante para que ela tenha credibilidade. Existe todo um processo no set de gravação o qual lida com dezenas de profissionais que tem que ser bem admistrado para que funcione. Dias de gravação de cenas de ação são sempres dias de aventura.

Qual a sua visão quanto a alterações no texto, seja por iniciativa do diretor ou através de cacos do elenco?

Eu acredito que mexer no texto, na sua estrutura é bem complicado. Basicamente tem um cara que leva horas para escrever aquilo e você não pode de maneira aleatória mudar. Mas aí entra o momento de gravar que é único. Muitas vezes na hora da gravação se consegue ver, ou um ator consegue perceber algo que o autor não conseguiu quando escreveu. Quando acho que essas colaborações podem acrescentar ao texto, eu acho que são válidas. Agora, mudar por mudar, ou para conseguir mais uma piada em detrimento da história, acho pouco inteligente.

Na sua visão, para onde deve caminhar a nossa teledramaturgia?

Acho que deveria buscar histórias originais onde os arquétipos fossem claros mas não simplórios. Quanto mais nos aproximamos da realidade, mais identificação direta conseguimos do público. As vezes, o folhetim é esquecido por alguns momentos e isso pode ser a resposta para uma série de perguntas que são feitas por aí sobre as novelas. Vamos acreditar na gente, nas nossas histórias e seguir em frente!!!!

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