Autor-roteirista da TV GLOBO desde 1984 (inicialmente, analista de texto, após 1988 roteirista em tempo integral). Membro da Casa de Criação Janete Clair entre 1985 e 1987. Membro da Comissão de Seleção de Projetos da EMBRAFILME entre 1985 e 1987.
Nascido no Rio de Janeiro, no dia 29 de dezembro de 1944, Sérgio Marques dos Reis foi roteirista de diversas novelas da Rede Globo, além de ser um dos fundadores da ARTV.
pacto de sangue (1989 - Globo - co-autor)
salomé (1991 - Globo)
o dono do mundo (1991 - Globo - co-autor)
contos de verão (1992 - Globo - minissérie - roteiro final)
anos rebeldes (1992 - Globo - minissérie - co-autor)
pátria minha (1994/95 - Globo - co-autor)
labirinto (1998 - Globo - co-autor)
força de um desejo (1999/2000 - Globo - co-autor)
celebridade (2003/2004 - Globo - co-autor)
belíssima (2005/2006 - Globo - co-autor)
paraíso tropical (2007 - Globo - co-autor)
FONTES
Sérgio foi o autor com quem mais gostei de interagir. Inteligente, solícito, bem humorado. Mostrou-se muito preocupado com a utilização da entrevista, deixou claro que trechos fora de contexto poderiam ser mal interpretados. Portanto, atendendo a seu pedido, segue na íntegra a entrevista feita via e-mail em janeiro de 2008.
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Que tipo de entretenimento mais lhe influenciou a escolher esta carreira: Cinema? Literatura? Teatro?
A literatura, primeiro, me deu vontade de ser escritor. Foi no primeiro livro que eu li (Reinações de Narizinho, do Monteiro Lobato), e meu pai me disse que sim, havia alguém que inventava e escrevia aquelas histórias, e ganhava para isso - em vez de ter que sair no meio da noite para atender pacientes, como ele, meu pai, que era médico. Gostei. Logo depois, fui ao cinema pela primeira vez, e comecei a querer inventar aquelas histórias - com imagens, movimento, pessoas com caras e corpos completos. Descobri logo que era preciso filmar, contratar atores, comprar filme. E, antes de tudo... escrever uma história. Infelizmente, descobri também pouco depois que isso tudo era nos Estados Unidos, na Europa, porque no Brasil só uns 3 escritores viviam exclusivamente de escrever. Eu tinha uns 6 anos quando a televisão chegou ao Brasil. Foi pela TV (um pouco pelo cinema, também, mas sobretudo pela TV) que comecei a gostar de teatro, e a ir a teatro adulto, por volta dos 13 anos de idade. Mas só quando já tinha quase 30 é que soube que havia gente que vivia de escrever - para a TV. E só com quase 40, há quase 25 anos, é que tentei a sorte nela. Na TV. De um certo modo, acho que o que me fez escolher a profissão de roteirista de televisão foram a literatura, o cinema, o teatro... e principalmente a própria televisão.
Você já escreveu com grandes autores (Gilberto Braga, Sílvio de Abreu, entre outros), seja como co-autor ou colaborador. Como administrar egos em situações assim?
Eu talvez não seja a pessoa ideal para responder a essa pergunta. Os grandes autores com que trabalhei (particularmente os dois que você cita, Gilberto e Sílvio) jamais puseram em pauta, ou sequer me fizeram lembrar, o problema da administração de egos. Talvez sejam espertos. Como querem mesmo é que suas novelas façam sucesso, são abertíssimos a qualquer sugestão, crítica, objeção etc. O que claro que não quer dizer que sigam todas. (E eu também claro que não faço nenhuma questão de que todos os meus palpites sejam acolhidos.) Em parte por temperamento meu, em parte pela recepção que praticamente sempre tenho encontrado, nunca me senti inibido de dizer o que pensava. Às vezes, de forma contundente. Tem funcionado bem. Acho que tenho tido sorte com as equipes com que tenho trabalhado.
Qual o seu ponto forte como roteirista de teledramaturgia? Escaleta? Diálogos?
É difícil responder a isso sem incorrer no risco de parecer falso humilde, ou, ao contrário, irrecuperável megalô. Na verdade, não me acho especialista em qualquer etapa do processo de roteirização. Tenho escrito, em novelas, minisséries, seriados, muitas escaletas (que prefiro chamar de "estrutura", porque são, de fato, elas que estruturam a narrativa; o Sílvio chama de "planificação", e acho que é isso mesmo, são planos de capítulo). Mas o que mais escrevo são os chamados diálogos. "Chamados", porque, na verdade, a partir da escaleta, ou estrutura, ou planificação, o que você faz é o roteiro final, aquilo que vai para os diretores, os atores, os demais artistas e técnicos envolvidos na realização do programa. E que inclui basicamente, é claro, os diálogos propriamente ditos e as rubricas de cena - os movimentos em cena, os climas desejados, ocasionalmente indicações de planos de câmera etc. Por mero egoísmo, talvez preguiça, prefiro fazer diálogos, apesar de achar as escaletas fundamentais. É que estruturar a ação dá muito trabalho. Envolve um controle detalhado de tudo o que acontece durante o capítulo, como as ações se relacionam, a administração em abstrato do ritmo e do clima da narrativa, a utilização dos cenários, e mais uma infinidade de outros pormenores. Acho mais prazeroso e espontâneo fazer diálogos. E, para sorte minha, acho que sou em geral considerado um dialoguista razoavelmente capaz, de modo que vou levando...

É ponto pacífico que a telenovela é o maior fenômeno de comunicação de massa do Brasil. Como é ter tamanho poder de fogo nas mãos por oito, nove meses?
É um peso, sim. Tudo tem de ser medido, avaliado. Tentam-se antecipar as repercussões de cada situação, o efeito que podem causar, o impacto que podem gerar em diferentes audiências. Acho por outro lado que há um enorme exagero no poder que se costuma atribuir à ação da telenovela sobre seu público. Há quem, por autoritarismo, por excesso de reverência ou por oportunismo mesmo (para pegar carona no sucesso), trate a novela como um fato social real, e de enorme significado, em lugar da obra de ficção que é, essencialmente destinada ao entretenimento. E aí você vê pessoas, às vezes poderosas, não contentes em achar a novela boa ou má, recomendável ou desaconselhável, querendo proibir, cortar pedaços, remeter para horários inviáveis. E até determinar o que deve ou não acontecer na novela, os desagravos que devem ser feitos a certos grupos ou categorias sociais ou profissionais que se considerem atingidos, as compensações "morais" a determinados aspectos da história. Que, afinal, não passa disso: uma história. Muitas vezes já me ocorreu (e ocorreu a muitos outros, antes e depois de mim) que grande número de obras clássicas do teatro grego, de Shakespeare, de Molière e, no cinema, de Fellini, Bergman, Truffaut (para não falar em Nélson Rodrigues e Gláuber Rocha, p. ex.), se tivessem sido escritas hoje, no Brasil e sob forma de telenovela, seriam implacavelmente perseguidas. Mas o peso da responsabilidade existe, sim. E ninguém o conhece melhor do que nós. Nós todos, escritores, diretores, atores, artistas e técnicos, queremos alcançar o público, seduzi-lo, envolvê-lo. Ninguém quer pôr no ar uma novela que agrida o público, o faça rejeitá-la. Tenho certeza de que, entregue aos profissionais da área, essa questão sempre será melhor administrada do que nas mãos dos censores potenciais sempre de plantão (sejam oficiais ou de grupos de pressão). Em lugar algum do mundo, fora as proverbiais e desonrosas exceções, nunca foram os artistas ou intelectuais que queimaram livros, fecharam ou atacaram centros de produção de cultura, ou impuseram a qualquer sociedade um único, pobre e homogêneo pensamento.
Mesmo com o sucesso de O FIM DO MUNDO (de Dias Gomes – Globo/20hs.), a TV brasileira não mais investiu em tramas curtas no horário nobre. O que pensa a respeito desta idéia?
Penso que o maior problema aí é econômico. O sucesso, até internacional, da telenovela brasileira certamente tem a ver com a capacidade de investimento no programa. Que permite o emprego de avançados recursos técnicos e industriais, e a contratação de profissionais de primeira linha, em todas as suas áreas. E isso foi possível num país ainda em desenvolvimento, como o Brasil, muito provavelmente porque os custos envolvidos tendem a se diluir, em programas de longa duração. Sem falar em contratos de longo prazo, investimentos pesados em cenários, figurinos, equipamentos etc. Nos horários de maior audiência, creio que a curto prazo continuaremos precisando de programas como a novela, com uma duração mínima considerável. Embora elas possam ser menores, com certeza. E embora, também com certeza, outros programas, como minisséries, seriados, até as telepeças (os chamados "casos especiais") possam, e devam ter, em minha opinião, um espaço maior.
Sinto que os veteranos autores de nossa televisão são mais progressistas e desafiadores do que os jovens que estão surgindo no mercado, mais conservadores e presos a dogmas comerciais e à ditadura da audiência. A quê você atribui o fato de, na televisão, a renovação vir do passado?
As grandes organizações bem sucedidas, tanto na área de comunicação quanto em outra qualquer, tendem ao conservadorismo. A velha tese de não mexer no time que está ganhando. No caso da televisão e da telenovela, pessoalmente acho isso compreensível até certo ponto, pelos próprios volumes de investimento necessários, a que me referi antes. Talvez o que você afirma, na pergunta, não seja propriamente uma regra geral. Há autores veteranos conservadores, e novos experimentadores, como v. sabe. Mas é possível que na maioria dos casos você esteja certo. E a explicação possível que eu, pelo menos, encontro é que os novos talvez se sintam mais pressionados. Um Gilberto Braga, um Sílvio de Abreu, ou uma Glória Perez, um Aguinaldo, um Lauro César Muniz, um Manoel Carlos talvez estejam mais dispostos a correr o risco de fracassar. Porque têm um back-ground que de certa forma os garante (ainda que isso, em TV, seja relativo). Enquanto um novato pode achar que tem de acertar a qualquer custo. Uma única bala no fuzil. O que pode ser um tiro pela culatra...
Há uma fórmula para o fracasso na televisão?
Na minha opinião, não. Tanto quanto não há para o sucesso. Até porque uma seria o reverso da outra, não é? Daniel Filho, numa palestra por volta de 86, durante ou pouco depois da exibição de Roque Santeiro, explicava com fina ironia as razões do "fracasso" da novela: nenhum dos personagens principais era imaculado, não havia um herói com quem o público pudesse se identificar (quem? o medroso Roque? a trambiqueira Porcina? o completamente insescrupuloso - e cruel - Sinhozinho Malta?)... No entanto, era (e ainda é) um dos maiores sucessos da história da televisão brasileira. Não tem receita. Claro que há elementos básicos. Uma trama que se preste a um desdobramento longo. Personagens fortes, carismáticos, envolventes, capazes de seduzir um público amplo durante meses, convivendo com esse público diariamente. Mas, fora isso, é talento e tarimba. A boa e velha prática. Antes de Dias Gomes e Janete Clair, dizia-se que não era possível fazer novela com temas e personagens brasileiros. Antes de Beto Rockefeller, que anti-herói em novela era impensável. Antes de Dancin' Days, que temas do cotidiano, o clima gilbertiano de dia a dia da Zona Sul do Rio, não dava novela. Antes de Guerra dos Sexos, que pastelão em novela era fracasso na certa. E fosse você tentar, antes de Vale Tudo, dar uma banana pro Brasil no último capítulo, e sair impune... Não tem receita não. Talento sim, não vale só querer copiar o que já foi feito. Experiência ajuda muito. No mais, tudo é arriscadíssimo. Até que alguém tenta e dá certo. Um pouco de bom senso acho que também pode ser útil. Se houvesse alguma fórmula para o fracasso, acho que seria tentar fazer da novela (ou do espetáculo que fosse) uma trip inteiramente pessoal, despreocupada de ser entendida pelos outros ou de levar entretenimento de qualquer natureza a quem quer que seja. Aí, pode até dar certo. Mas acho que vai ser por coincidência...
Você faz parte da Associação dos Roteiristas. Como você se aproximou desse trabalho em nome da classe?

Sou um dos fundadores, em 2000, da Associação de Roteiristas de Televisão, Cinema e Outros Veículos, então chamada ARTV. Fui membro da primeira diretoria colegiada, e pertenço até hoje ao conselho consultivo da associação. Sempre achei fundamental a existência de uma associação desse tipo que reunisse os escritores profissionais "de tela" - quer dizer, sobretudo, os roteiristas de cinema e de TV. Basta olhar o exemplo da WGA, a Writers' Guild of America dos Estados Unidos, que acaba de paralisar a mais poderosa indústria de entretenimento do mundo (e da História), para se perceber a força e a importância que pode ter uma associação dessas. No entanto, quando nós começamos, os objetivos da maioria de nós eram até modestos. Queríamos simplesmente ter um instrumento de convivência, de discussão de problemas e de interesses comuns, de construção de uma união de grupo. Porque o escritor (de tela, de palco, de livro ou do que for) é, ao mesmo tempo que um indivíduo de enorme influência potencial sobre a sociedade em que vive, um solitário. Você trabalha a maior parte do tempo sozinho, em casa. Quando escreve uma novela, p. ex., leva meses, às vezes mais de um ano, quase só se relacionando com os colegas da mesma equipe. E ainda assim muito mais pela internet ou pelo telefone do que em contato pessoal direto. O que nós queríamos era mais do que tudo preencher essa lacuna, criar pontes entre pessoas que afinal fazem o mesmo trabalho, penam freqüentemente com os mesmos problemas, podem com certeza se beneficiar de um contato mais intenso de uns com os outros. E acho que ainda estamos tentando conseguir exatamente isso. Acho que vamos conseguir. Conseguindo, ao mesmo tempo, melhorar cada vez mais nossas próprias condições de trabalho e a qualidade do resultado desse trabalho.
O que diria a um jovem escritor que pensa em encarar o desafio de escrever telenovelas?
Se o que você pretende é ficar rico e famoso depressa, não pense em escrever novela. Candidate-se a algum cargo eletivo, aprenda a jogar na bolsa, funde um banco. Não se engane com o que você lê em revistas de fofocas. A vida de quem escreve, ou interpreta, ou dirige telenovelas, não é nem de longe aquela festa que você vê nas bancas de jornais. Tenha muita confiança no seu próprio talento, imaginação, fertilidade criativa. Sem isso, nem adianta tentar. Mas saiba sempre que não basta. Tenha alguma coisa que lhe pareça importante a dizer: escrever histórias só para ganhar dinheiro é mais triste do que fazer outra coisa mecânica qualquer só para ganhar dinheiro. Não acredite que escrever novela é só botar qualquer coisa no papel (ou na tela do computador), que passando na Globo vão ver mesmo. Nem pense que a sua vida, ou a do seu vizinho, ou do seu tio-avô, dá uma novela: não é qualquer pessoa que escreve novela (ou muitos escreveriam, e são poucos), e provavelmente a vida dos seus parentes NÃO dá uma novela. Esteja preparado para trabalhar muito, para levar muito tempo aprendendo (e apanhando), para engolir muitos sapos. Tenha MUITA autocrítica: você vai errar muito antes de começar a acertar, e tem que levar na boa. Se você achar que encara tudo isso... aí vá fundo. Escrever com sinceridade histórias para milhões de pessoas, e sentir que as está alcançando, que está tocando emoções, que está de algum modo agindo sobre corações e mentes de tantos outros semelhantes é uma das sensações mais gratificantes que se pode ter na vida. Se numa novela de 200 capítulos você sentir firmemente que está conseguindo isso em, digamos, 10 ou 20% desses capítulos, compensa outros 150 de muito trabalho e talvez nem tanto prazer (eu particularmente gosto de escrever, gosto da parte mecânica, gosto de fazer um diálogo, mesmo quando não sinto que é uma especial maravilha; sou como o Ferdinando da antiga história em quadrinhos, que dizia que adorava a lei mesmo quando a detestava: adoro escrever mesmo quando detesto). A não ser que você seja um desses raros que quase nasce sabendo escrever novela, vocacionado desde a infância mais remota. Mas, nesse caso, o que é que você está fazendo lendo estas desconexas divagações, em vez de estar escrevendo suas histórias?
Qual a maior virtude e qual o maior defeito da teledramaturgia brasileira?
Essa é com certeza uma pergunta muito difícil de responder. Chutando do jeito que a bola veio, e sob o risco de me arrepender no momento seguinte à resposta, eu diria que a maior virtude da teledramaturgia brasileira talvez seja a sua demonstrada capacidade de se identificar com o seu imenso público (praticamente todo o povo brasileiro, hoje quase 200 milhões de pessoas, descontando destas apenas as crianças muito pequenas e os poucos que realmente não vêem teledramaturgia), e falando, de um jeito ou de outro, de problemas nossos, de situações brasileiras, de gente do Brasil. E, hoje em dia, levando isso a grande parte do planeta, pela exportação sobretudo das novelas. Da mesma forma, talvez o principal defeito seja um certo conservadorismo que o êxito costuma trazer consigo, ao qual me referi há pouco. Um certo medo de mudar, de arriscar, de mexer no time que está ganhando (e que, na verdade, só ganhou porque, em algum momento... arriscou).
Qual o colega autor de telenovelas que você mais admira atualmente?
Essa é praticamente impossível de responder. São tantos. Se tivesse, sob pena de morte, que citar dois, citaria os dois com quem trabalhei diretamente nos últimos anos, e portanto de cujos método, competência, talento, sou testemunha imediata. Gilberto Braga e Sílvio de Abreu.
Como você imagina o futuro do texto para a TV?
Ainda bem que você pediu para imaginar o futuro do texto para TV, não para prever. Porque previsões, numa área apesar de tudo tão nova, tão mutante, tão afetada por inovações tecnológicas diárias, uma área tão... imprevisível, são um convite certeiro ao mico. Além disso, no caso particular do texto para a TV brasileira, tudo depende essencialmente do desenvolvimento do próprio país, das próprias economia e sociedade do Brasil. Se é para pagar mico, imagino, antes de mais nada, um país em crescimento, desenvolvido, que tenha deixado de ser emergente para emergir, um país em que as injunções e os constrangimentos econômicos - na TV e em todas as demais áreas de produção, cultural ou não - sejam muito menos sufocantes. Nessas condições, imagino textos para TV mais curtos, programações mais segmentadas (programas dirigidos a públicos específicos, e não todos os programas tentando conquistar todo o público) e portanto mais elaboradas, mais particulares, mais sofisticadas. Imagino novelas mais curtas, mais minisséries e menos novelas, mais seriados - talvez, em um formato assemelhado (mas não copiado deles) ao dos seriados norte-americanos. Mais para Bem Amado, Grande Família e Malu Mulher do que para Heroes, CSI e Seinfeld. Imagino a continuidade e o aprofundamento dos temas brasileiros, do realismo, da atualidade. Imagino, sobretudo, mais autores brasileiros escrevendo mais programas para mais brasileiros. Com um compromisso crescente com a qualidade, com a sinceridade, com a dignidade profissional, humana, social. Imaginar não ofende.